Corria o minuto 31 do segundo tempo do duelo entre Fluminense e Bahia, no sábado, quando, ao tocar na bola, na ponta esquerda, João Pedro ouviu sonoras vaias de muitos torcedores presentes no Maracanã. Do Setor Sul,  imediatos gritos de apoio vindos das organizadas. Nas redes sociais, as mensagens a favor da promessa também foram maiores, quase todas elas repudiando o comportamento dos que vaiaram.

As últimas semanas não têm sido fáceis para João Pedro, e não somente dentro das quatro linhas. No final de setembro, o jogador foi perseguido e cobrado por um grupo de torcedores que pedia “mais disposição”, quando estava jantando em um restaurante na Barra da Tijuca, depois de um jogo contra o Grêmio. No dia anterior, marcado pela invasão ao CT Carlos José Castilho, em um áudio que circulou na internet, um dos membros que participaram da manifestação falou em “perseguir os atletas à noite”, por causa da ida de JP ao Rock in Rio junto de sua namorada, a atriz Mel Maia.

João Pedro convive com um incômodo jejum: não marca um gol há oito jogos. A última vez que balançou as redes foi no dia 7 de setembro, quando fez o gol da vitória contra o Fortaleza, por 1 a 0. Depois disso, mais nada. E com um detalhe: jogou os 90 minutos em todas as partidas. No sábado, o técnico Marcão saiu em defesa do pupilo, elogiando-o pela contribuição na parte tática. O comandante chegou a falar em “conversa” durante a semana para ajudar o camisa 23.

– Taticamente o João Pedro tem nos ajudado bastante. É lógico que o atacante vive de gols, e a torcida cobra isso. Mas entendemos que ele ainda está contribuindo, está ajudando bastante. Quando perdemos um homem de lado, ele volta para recompôr, quando perdemos um meia, ele recompõe. Enquanto entendermos que ele possa contribuir para a equipe, estaremos junto com ele. É uma pressão diferente, ele não tinha passado por isso de ser vaiado. Vamos conversar com ele durante a semana, estamos preparando algumas coisas para ajudar na performance. Acredito que nosso estafe pode ajudar bastante ele – disse o treinador.

A cobrança é fruto da precocidade de João Pedro, que encara a responsabilidade de “ter que decidir partidas” desde os 17 anos. Em sua primeira temporada como profissional, marcou gol no primeiro “Fla-Flu” que jogou (no Campeonato Carioca) e viveu um período de ouro em maio, quando anotou sete gols em quatro jogos, entre Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro. Em junho, com um golaço de bicicleta aos 49 minutos do segundo tempo, igualou a eliminatória de Copa contra o Cruzeiro, em pleno Mineirão, levando para os pênaltis, onde posteriormente o Fluminense viria a ser eliminado.

A grife conquistada na base foi levada, com merecimento, ao time A. Pelo Sub-17, em 2018, foram 19 gols em 22 jogos e uma poderosa dupla de ataque formada ao lado de Marcos Paulo. As apresentações dos dois, em especial nas campanhas dos vices-campeonatos Carioca e da Copa do Brasil da categoria, carimbou um entendimento singular em campo. Logo, nasceu o “Casal 20” de Xerém, que foi a forma como a parceria foi alcunhada.

DESPEDIDA NO FIM DO ANO
Já vendido ao Watford, da Inglaterra, João Pedro está com os dias contados nas Laranjeiras. Isso porque o clube inglês o quer reforçando o elenco em janeiro de 2020, o que significa que o jovem se despede do Tricolor ao término do Campeonato Brasileiro. O Flu tentou estender sua permanência ao menos até junho, mas a direção do Watford está determinada a contar com o talento brasileiro no seu elenco o mais rápido possível. Dessa forma, JP, que recém completou 18 anos, chega na Europa com a temporada em andamento.