Em entrevista, presidente do CSA fala sobre projeto clube-empresa

Tenório afirma que é preciso ter visão empresarial, com metas a serem alcançadas — Foto: Denison Roma/GloboEsporte.com
Presidente do CSA, Rafael Tenório – Foto: Denison Roma – Foto: Globoesporte

O CSA observa com atenção a mobilização dos clubes brasileiros no Congresso Nacional. Desde o início do ano, a diretoria vem discutindo internamente o processo para mudança do seu modelo de gestão e a transformação do clube em empresa. E esse debate foi parar em Brasília neste mês.

Nessa quarta-feira, representantes de clubes das séries A e B do futebol brasileiro estiveram reunidos com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Em pauta, a proposta para aprovação das modificações necessárias para fazer com que as agremiações deixem de ser sem fins lucrativos e passem a adotar as sociedades anônimas (S/A’s), permitindo assim a participação de investidores e até mesmo acionistas.

Presidente do CSA, Rafael Tenório falou com o GloboEsporte.com nesta quinta-feira. Ele disse como tem sido a discussão entre os clubes.

– Tem uma comissão dos clubes nas séries A e B e bem lá atrás vem se discutindo a respeito dessa questão de fazer os clubes virarem empresas. O desconforto que se vê, a princípio, é que os clubes de futebol têm alguns benefícios como isenção de PIS, Cofins, imposto de renda, contribuição social sobre lucro (CSLL), mas, em compensação, pagam 5% sobre toda sua receita bruta para a Previdência Social. São valores significativos. Por exemplo: um clube que recebe R$ 100 milhões, paga R$ 5 milhões à Previdência. Na hora que virar empresa, ela vai ter as obrigações tributárias. Então isso está em discussão e acredito que vai levar um certo tempo.

Se por um lado tem a isenção de determinadas cobranças, por outro tem a criação de impostos. Rafael Tenório explicou.

– Outra coisa é a cobrança de ISS que é a pago à prefeitura. Agora mesmo, o CSA fechou um patrocínio de R$ 1,5 milhão com o governo do estado e teve que pagar à prefeitura de Maceió R$ 75 mil, sem que ela tivesse feito absolutamente nada. Então a gente vai brigar para eliminar algo desse tipo de coisa, porque não é justo – reclamou.

– Por isso, eu acredito que essa questão dos impostos vai abrir muita discussão, porque é aquilo que eu venho falando: os clubes de futebol precisam ser administrados de uma forma profissionalizada, com processos empresariais. Não tem como ser diferente.

O dirigente também destaca que o CSA já adotou o modelo de gestão empresarial. Para ele, esse tem sido um dos pontos chave para a ascensão do clube nos últimos anos.

– O CSA já tem essa cultura de clube-empresa. Nós só ainda não estamos regularizados como tal, mas a nossa gestão dentro do clube é voltada para resultados.

Fim dos direitos trabalhistas

De acordo com a proposta de lei em discussão, os clubes pretendem acabar com os direitos trabalhistas de atletas que recebem salários superiores a R$ 10 mil. Rafael Tenório opinou sobre esse tema.

– É isso mesmo (acabar com os direitos trabalhistas), porque não pode. Vamos dar um exemplo: um atleta ganha R$ 500 mil por mês, desse montante, 60% tem que ser regido na CLT, ou seja, R$ 300 mil, e R$ 200 mil é direito de imagem. Se o clube coloca um jogador desse para treinar separado, obrigatoriamente, você não está usando a imagem dele, então não pode pagar. Mas se isso vai para a Justiça, o clube perde. O jogador quer receber o salário integral. Se o clube rompe o contrato dele, a Justiça também determina que o clube pague o salário integral dele.

Tenório disse também que está muito otimista quanto à aprovação da proposta e, consequentemente, do projeto de lei. Suplente do senador Renan Calheiros, ele garantiu que há interesse do governo federal nessa aprovação.

– Acredito que a proposta vai passar, mas algumas coisas serão ajustadas. Há interesse do governo na aprovação desse projeto de lei porque, se você pegar, os grandes devedores da Previdência Social também são os clubes de futebol.

Reunião no CSA

Rafael Tenório informou ainda que o Conselho Deliberativo do CSA vai se reunir para tentar aprovar a mudança na forma de gestão do clube.

– Está tudo pronto. Vamos ter uma reunião no dia 2 de outubro que é para o assunto (transformação em S/A) ser aprovado pelo Conselho Deliberativo. Depois de aprovado, inicia-se a documentação de abertura da S/A. Isso é rápido, leva uns 15 dias. A partir daí, é hora de correr atrás dos seus investidores.

Fonte: Globoesporte