Na Copa América, Brasil busca nono título; Peru quer a terceira taça

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JOVEM PAN

 

Caso conquiste o título da Copa América neste domingo, confirmando seu favoritismo em relação ao Peru, a Seleção Brasileira vai dar a volta olímpica pela nona vez na história da competição. As equipes duelam neste domingo, às 17h(de Brasília), no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ). Os peruanos ergueram a taça mais importante do futebol sul-americano em duas ocasiões.

Depois de fazer figuração nas duas primeiras edições, quando chegou na terceira posição, a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título da Copa América na edição de 1919, quando sediou o evento, disputado no campo do Fluminense, atual sede das Laranjeiras, onde já não se disputam mais jogos oficiais. O torneio era para ter sido realizado em 1918, mas foi adiado em um ano devido a uma epidemia de gripe que assolava o Rio de Janeiro. Comandado pelo implacável artilheiro Artur Friedenreich e Neco (os dois dividiram a artilharia com quatro gols cada) o time canarinho foi impecável. Estreou fazendo 6 a 0 no Chile, bateu a Argentina por 3 a 1 e empatou em 2 a 2 com o Uruguai, que foi seu adversário na final. O título contra a Celeste foi ganho após Friedenreich marcar o gol único do duelo na segunda prorrogação de um confronto que durou cerca de 150 minutos.

Em 1922 o Brasil voltava a sediar uma Copa América e novamente a conquistaria. Outra vez jogando nas Laranjeiras, a Seleção Brasileira teve um troféu bem mais contestado, pois terminou a primeira fase empatada com Paraguai e Uruguai. O time canarinho fez uma campanha irregular, empatando com Chile, Uruguai e Paraguai, e vencendo apenas a Argentina. Para tirar ainda mais a credibilidade do evento, os uruguaios abandonaram a disputa se queixando da arbitragem e os argentinos, que ficaram na última posição, não contaram com os jogadores de seus principais clubes. Na grande final o Brasil não encontrou maiores problemas para fazer 3 a 0 no Paraguai. Neca foi o grande destaque do time, que já não contava mais com Friedenreich.

Depois de ausências e fracassos, a Seleção Brasileira voltaria a se sagrar campeã em 1949, dessa vez com um futebol vistoso. Apesar da derrota de 2 a 1 para o Paraguai, os brasileiros ficaram marcados por goleadas impiedosas, como os 9 a 1 contra o Equador e os 10 a 1 contra a Bolívia. No jogo-desempate novo show: 7 a 0 nos paraguaios. O ataque brasileiro marcou 46 gols e a edição foi recorde em termos de gols: 135. Zizinho, Jair da Rosa Pinto e Ademir de Menezes foram os destaques de um time que no ano seguinte perderia a final da Copa do Mundo no Maracanã para o Uruguai. Em 1949, a Copa América foi disputada em vários estádios, curiosamente não nas Laranjeiras, palco dos dois primeiros títulos canarinhos.

Por muito tempo a Seleção Brasileira perseguiu o título sem sucesso, inclusive passando por algumas humilhações, como quando em 1987 foi goleada por 4 a 0 pelo Chile. Apenas quarenta anos depois da última conquista, em 1989, quando voltou a sediar a Copa América, que o Brasil enfim sentiu novamente o gostinho de ser campeão. O time dirigido por Sebastião Lazaroni começou o torneio sob as desconfianças da torcida. Para piorar os três primeiros jogos aconteceram em Salvador e sob vaias da torcida baiana, que não entendia o porquê de Charles Baiano, do Bahia, não ser titular de um time que tinha a dupla de ataque formada por Bebeto e Romário. Alguns jogos mais tarde eles entenderiam o porquê. Depois de vencer a Venezuela por apenas 3 a 1 (levando o primeiro gol marcado pelos venezuelanos sobre o Brasil em toda a história) e empatar sem gols com Peru e Colômbia, o escrete canarinho seguiu para Recife, onde bateu o Paraguai e ganhou fôlego para a fase final, jogada toda no Rio de Janeiro. No Maracanã, com um show de Romário e Bebeto, o Brasil passou pela Argentina por 2 a 0 e atropelou os paraguaios por 3 a 0 antes de fazer a final com o Uruguai. Diante de 170 mil torcedores (público recorde no torneio) o Baixinho fez o gol do título num 1 a 0 histórico. Bebeto foi o artilheiro com seis gols.

“Aquela Copa América foi importante porque o Brasil vinha de um longo jejum e o início não foi nada fácil, com aqueles problemas na Bahia. Mas fomos crescendo com a competição, encorpando e enfim chegamos ao estágio ideal”, recordou Lazaroni.

Depois de ver a Argentina se sagrar bicampeã e perder um título nos pênaltis para o Uruguai, a Seleção Brasileira voltaria a ser campeã em 1997, pela primeira vez fora de seu próprio território. Na altitude boliviana um time com o goleiro Taffarel, os laterais Cafu e Roberto Carlos, o volante Dunga e os atacantes Romário e Ronaldo não encontrou adversários do mesmo nível e chegou a aplicar uma histórica goleada de 7 a 0 sobre o Peru nas semifinais. Na grande decisão o Brasil, mesmo sem Romário, lesionado, bateu a Bolívia por 3 a 1, com gols de Denilson, Ronaldo e Zé Roberto. O atacante Ronaldo foi o artilheiro da competição, com sete gols. Após o torneio, irritado com as críticas de alguns segmentos da imprensa, o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo soltou uma frase em tom de desabafo que seria eternizada: “Vocês vão ter que me engolir”.

Dois anos mais tarde, no Paraguai, o Brasil, dessa vez sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, seria pela primeira vez bicampeão. Nunca a Seleção Brasileira teve um desempenho tão brilhante, ganhando todas as partidas, marcando 17 gols e sofrendo apenas dois. Logo na estréia, nos 7 a 0 sobre a Venezuela, o país seria apresentado ao gênio Ronaldinho Gaúcho, que estreava com a camisa amarelinha marcando um gol de placa. Depois o Brasil fez 2 a 1 no México, 1 a 0 no Chile, 2 a 1 na Argentina, 2 a 0 novamente nos mexicanos e 3 a 0 na grande final contra o Uruguai. Ronaldo e Rivaldo dividiram a artilharia com cinco gols. O torneio marcou a estreia do Japão, que atendeu a um convite da Conmebol.

Em 2004, no Peru, a Seleção Brasileira conquistou um título histórico. O técnico Carlos Alberto Parreira decidiu fazer experiências e poupou as principais estrelas. Com isso o destaque do Brasil foi o atacante Adriano que, com sete gols, obteve a artilharia. A primeira fase foi complicada e após vitórias sobre Chile e Costa Rica e derrota para o Paraguai os brasileiros ficaram com a segunda posição. Nas quartas-de-final uma goleada sobre o México por 4 a 0 que escondia a fragilidade do time, que penou para superar o Uruguai nos pênaltis nas semifinais após empate por 1 a 1 no tempo normal.

Na grande final a Argentina, com seu time principal, ficou duas vezes em vantagem, com gols de Killy González e César Delgado. Luisão tinha marcado para o Brasil. Mas o empate veio aos 47 minutos, num chute de fora da área de Adriano, pouco tempo depois de Carlito Tevez, considerando o título ganho, ter feito firulas para menosprezar os brasileiros. o jogador viraria ídolo do Corinthians um ano depois. Nos pênaltis, os argentinos, abalados, caíram por 4 a 2.

Já em 2007 o técnico Dunga enfrentou muitos problemas antes da disputa do torneio, que foi na Venezuela. Os meias Kaká e Ronaldinho Gaúcho não quiseram jogar a competição alegando cansaço. O meia Zé Roberto pediu dispensa considerando que seu ciclo no escrete canarinho tinha chegado ao fim. Apesar de algumas dificuldades na primeira fase a Seleção Brasileira cresceu na reta final, mas mesmo assim chegou desacreditada para decidir com a Argentina. Porém, os brasileiros deram um verdadeiro show, ganhando por 3 a 0: gols de Júlio Baptista, Ayala (contra) e Daniel Alves. Foi a última conquista dos canarinhos.

O Peru foi campeão nas edições de 1939 e de 1975, inclusive o último ano em que foi finalista. O Uruguai é o país com mais títulos da Copa América, 15 no total, um a mais que a Argentina, sua perseguidora mais direta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTE – GAZETA ESPORTIVA