Chile e Peru decidem vaga na final com duelo particular entre Vargas e Guerrero

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Não existe um medidor de rivalidade capaz de dizer se a desarmonia entre Chile e Peru é maior que a entre brasileiros e argentinos no futebol. O certo é que tanto chilenos quanto peruanos consideram a semifinal da Copa América hoje, às 21h30, em Porto Alegre, mais um clássico sul-americano. Para além da vaga na finalíssima, domingo, no Maracanã, vale o orgulho nacional de derrotar um país muitas vezes inimigo na história geopolítica do continente. Entre os candidatos a herói de cada pátria, dois atacantes que disputam também um lugar mais glorioso na história.

Eduardo Vargas, pelo Chile e Paolo Guerrero, pelo Peru, têm, cada um, 12 gols na história da Copa América. Ainda que em tempos de Messi, Neymar e Suárez, nenhum jogador em atividade marcou mais do que eles. São os goleadores de uma época de sucesso de suas seleções na Copa América — a década de mais êxito em muito tempo.

O Peru, por exemplo, chega à semifinal pela terceira vez nas últimas quatro edições, algo que não acontecia desde a década de 1970. O Chile nunca viveu momento tão glorioso quanto o atual: a vitória hoje leva a seleção à terceira final consecutiva — o Brasil foi o último a conseguir o feito, há 20 anos. Campeões em 2015 e 2016, os chilenos buscam um tricampeonato que seria histórico: 103 anos de 45 edições de Copa América, só a Argentina conseguiu o feito, em 1945, 1946 e 1947.

Ainda sem brilho nesta edição

Entrar para a história é mesmo o objetivo de Vargas e Guerrero. Os gols que, por certo, pretendem marcar, os consolidarão na centenária lista de dez maiores artilheiros da competição. Dos nove primeiros colocados, oito são jogadores da primeira metade do século 20.

A única exceção é o argentino Gabriel Batistuta, autor de 13 gols entre 1991 e 1995. Se com um gol Vargas e Guerrero se tornam os maiores artilheiro em atividade da Copa América, com dois, a história aumenta: virarão o maior goleador dos últimos 60 anos da Copa América, com chance de fazer a marca crescer na final em 2020.

Mas se o passado é glorioso, o presente dos dois artilheiros é preocupante. O Peru chega na semifinal com um desempenho ruim — só uma vitória, sobre a fraca Bolívia, dois empates e uma goleada sofrida para o Brasil — e o artilheiro Guerrero acompanha o mau momento: só brilhou contra os bolivianos e não apareceu nos outros jogos. Já Vargas, um dos melhores na estreia contra o Japão, quando marcou duas vezes, foi a decepção no ataque chilenos nos três jogos seguintes. Seus companheiros Sánchez e Fuenzalida, parecem mais perigosos no ataque chileno hoje, enquanto Guerrero é a estrela solitária peruana que ainda não brilhou.

Conexões com o futebol brasileiro

No Internacional desde o ano passado, Guerrero foi bem por onde passou no Brasil. Já Vargas, atualmente no Tigres (México), teve uma passagem ruim pelo Grêmio em 2013. Pela distância do tempo, é claro, nunca se enfrentaram em um Grenal, mas tem um clássico de rivalidade comparável hoje, no estádio do tricolor gaúcho.

Um dos clubes em que Guerrero brilhou no Brasil foi o Flamengo. Lá conheceu, no fim de 2017, Reinaldo Rueda, contratado para dirigir a equipe. Hoje se reencontrarão, já que Rueda atualmente dirige a seleção chilena.

— Paolo é um goleador de raça, desde que era criança. O enfrento desde o sub-17. Dessa geração que mantém Farfán e vários deles, do sub-20 e das seleções adultas — disse o treinador na entrevista coletiva ontem na Arena do Grêmio, antes de comentar sobre os tempos de Rubro-Negro: — Tive a oportunidade de conviver com ele no Flamengo, e pude ver a qualidade de pessoa, de ser humano, além do profissional que é, como treina. E agora está mostrando no Internacional que é muito eficaz, contundente.

O técnico do Peru também trabalhou no futebol brasileiro. Ricardo Gareca, sem muito sucesso, dirigiu o Palmeiras em 2014, antes de assumir a seleção em 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thales Machado
EXTRA.GLOBO