Ideia de clube-empresa anima fãs do Botafogo

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#AssumeMoreiraSalles, frase que viralizou entre torcedores do Botafogo nas redes sociais, pode não traduzir ao pé da letra os planos dos botafoguenses Walter e João Moreira Salles. Especialistas ouvidos pelo Jogo Extra veem mais nos irmãos uma tentativa de repensar o sistema de gestão. O sonho de ser dono do clube de coração não parece estar à mesa.

No início de fevereiro, em carta enviada ao jornalista Juca Kfouri, João Moreira Salles frisou que ele e o irmão não têm “vocação para Abramovich”, numa referência ao bilionário russo que manda e desmanda no Chelsea.

– A torcida por vezes faz uma confusão com dono e patrocinador. Há a chance de criar uma empresa, com uma porcentagem na mão do clube e outra com os Moreira Salles – avalia Rodrigo Capelo, jornalista especializado em negócios do futebol e comentarista do Sportv: – Isso significa que os irmãos não escolheriam jogador, mas teriam voz na hora de selecionar o diretor-executivo.

Experiências do tipo já surgem aqui e ali. Em 2018, o Botafogo de Ribeirão Preto aprovou a separação entre clube social e futebol. Este último passou a ser gerido como S/A (Sociedade Anônima) com dois sócios: o próprio clube e a empresa Trex Holding, que entrou com R$ 8 milhões por 40% das ações.

– Nesse formato, você divide lucros e investimento. A relação é mais forte – resume Gustavo Vieira, idealizador da Botafogo S/A.

O advogado Rodrigo Monteiro de Castro, que redigiu um projeto de lei específico para criar o formato de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no país, acredita que modelos como o ensaiado pelos Moreira Salles precisam de um ambiente seguro para se desenvolver:

– O mecenato resolve problemas conjunturais, mas só vai se sustentar se vier acompanhado de uma grande revisão administrativa.

Quem são eles

Walter Salles, de 62 anos, e João Moreira Salles, de 53, são figuras carimbadas nas listas de bilionários feitas pela revista “Forbes”. Walter, o segundo mais velho entre quatro irmãos, se tornou conhecido por dirigir filmes premiados, como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”. João, o caçula da família, também é diretor e produtor de filmes, além de ter criado a revista “Piauí”. Ambos têm participação no Itaú-Unibanco e na CBMM, a maior produtora mundial de nióbio, um mineral raro.

A fortuna dos Moreira Salles, avaliada em U$ 3 bilhões (cerca de R$ 11,6 bilhões) pela “Forbes”, somada à paixão de ambos pelo Botafogo, alimentou esperanças de que poderia vir deles a solução para os problemas financeiros do Alvinegro, cujas dívidas acumuladas somam R$ 740 milhões. Uma das possibilidades levantadas foi de que os irmãos “comprassem” parte dessa dívida e se tornassem credores do Botafogo, algo parecido ao que fez Paulo Nobre no Palmeiras.

Em dezembro, os Moreira Salles encomendaram um estudo à consultoria Ernst & Young para avaliar a situação do Botafogo e pensar em alternativas de gestão. O levantamento deve ficar pronto neste mês e será levado ao Conselho Deliberativo.

 

 

 

 

 

 

 

Bernardo Mello

EXTRA.GLOBO