Brasil x Camarões: Seedorf elogia Tite e diz que saída de Neymar do Barcelona “foi um pecado”

Seedorf é técnico de Camarões — Foto: Reprodução/TV Globo
Seedorf; Foto: Globoesporte

As principais atrações de Camarões no amistoso desta terça-feira contra a seleção brasileira estarão no banco de reservas. O técnico é Clarence Seedorf, icônico meio-campista de passagem marcante pelo Botafogo, momentos gloriosos na seleção holandesa, no Real Madrid, e especialmente no Milan. Seu auxiliar é o ex-atacante Patrick Kluivert, velho parceiro de campo.

No último domingo, Seedorf recebeu a reportagem do GloboEsporte.com no hotel onde Camarões está concentrada, em Milton Keynes, nos arredores de Londres. Num bate-papo rápido, o técnico disse que nenhum jogo será mais importante do que enfrentar o Brasil antes de sediar a Copa Africana de Nações, em 2019.

Seedorf também fez veementes elogios a Tite e lamentou a saída precoce de Neymar do Barcelona. Para ele, o atacante precisa de um técnico e um time que o ajudem a desenvolver todo seu talento.

“Acho que Neymar precisa jogar com jogadores melhores do que ele. Não tecnicamente, mas que já tenham feito coisas importantes, ganhado coisas, que possam falar coisas para ele, e ele respeitar”

É o que ele quer fazer com os camaroneses.

Confira a entrevista:

Que identidade ou estilo de jogo você pretende dar à seleção de Camarões? Pertence à escola africana, é algo mais europeizado?
– Temos sempre pouco tempo para trabalhar. São 10 dias com dois jogos, seis treinamentos. É muito pouco para implementar tudo que precisamos, para o time ter um entendimento mais profundo do que queremos. Seleção é a coisa mais difícil para treinador e jogadores. Acredito que a primeira coisa é criar uma coesão forte, e isso fazemos com pessoas justas, antes do talento.

Como você vê o talento de Camarões?
– Talento temos muito. Temos experiência, juventude, criatividade, força física, dinamismo. Temos três goleiros fantásticos. Mas estamos construindo o dia a dia, um grupo fora do campo, com uma base de filosofia e criando condições para que os jogadores possam mostrar isso. Especialmente no ataque, onde precisam se sentir livres. Assim como os brasileiros têm que ter liberdade para criar com a bola, mas nosso foco está em no momento de saber se defender como conjunto, e não cada um fazendo uma coisa diferente, como víamos no passado com equipes africanas.

Os africanos precisam ser mais disciplinados taticamente?
– Por causa de um resultado ou outro, acabavam indo só com o coração. Têm que se manter racionais e usar o coração quando for preciso. Esse grupo tem capacidade de fazer essa mescla. Muitos jogadores disputam a Liga Europa, alguns a Liga dos Campeões, há outros em times bons de campeonatos competitivos. Temos uma boa base para construir.

Como um amistoso contra o Brasil pode ajudar nessa construção?
– Fazer um jogo como esse contra o Brasil, um gigante para todos, vai nos dar uma experiência que não tem preço. Independentemente do resultado, do que vai acontecer, a emoção de cada um por jogar contra Neymar e grandes jogadores afirmados mundialmente. Será de importância enorme antes da Copa da África, não teremos nenhum jogo mais importante do que esse. Temos que acreditar e ser competitivos. Queremos fazer um bom jogo. Vamos tentar, com nossas armas, complicar a vida do Brasil. Respeitando, mas acreditando em nossas possibilidades.

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