Givanildo Oliveira é apresentado no América-MG para sequência da Série A

Gladyston Rodrigues/EM/D. A Press

 

Ao ser apresentado pelo América nesta segunda-feira, Givanildo Oliveira, de 70 anos, falou da estratégia que tentará implementar para evitar o rebaixamento do clube à Série B em 2019. O treinador lembrou de clubes que conseguiu manter na Série A e prometeu levar uma palavra de incentivo ao grupo antes das cinco partidas decisivas neste Campeonato Brasileiro. Será preciso vencer ao menos três delas para salvar o Coelho da queda.

Você quando passa por um lugar, que além de ser vencedor se faz amizades, é fatal você voltar um dia. A não ser quando para. E eu ainda tenho esperança, vontade, garra, disposição de ir mais uns três anos. Eu aceitei convite, não discuti nada, nem financeiro. O que ofereceram eu aceitei e estou pronto, vim sabendo das dificuldades como vocês sabem também. São cinco jogos, não tinha acontecido de assumir assim em Série A, mas em outro caso consegui sim, não com cinco, mas com sete, tirei a Ponte do rebaixamento. Consegui com o Mogi Mirim e espero que aconteça aqui também. Que consigamos uma grande vitória nesse próximo jogo e que a gente consiga tirar o América desse momento.

Viveu outro momento pior que esse no América?

Em termos de quantidade de jogos, pelo momento e pelo momento que passamos, não posso dizer que é fácil, fácil não é. Agora, não teve momento difícil, teve momento que eu comecei o trabalho… Lembro de Série C, fomos campeões. Série B também. Então, esse momento é difícil sim, não sou eu quem digo, vocês sabem também, pela quantidade de jogos e na situação que está, mas eu sempre acredito. Enquanto há vida, há esperança, e estamos vivos. Agora esperamos ficar mais vivos na quinta feira.

O Marcus Salum poderia ter te contratado antes?

Eu acho que não é o momento. Vemos esse ano, quantos treinadores surgiram? E essa é a lei natural da vida, alguns passam e vão desgastando e terminam nas mudanças assim como o jogador. Hoje, felizmente, jogador vai até 34, 35 anos, antes não ia, era até 28. Treinador eu sempre digo algo, até de brincadeira, sou treinador, mas não jogador. Então, eu vou até onde eu achar que dá. Eu caminho todo dia na praia, tenho esse corpo magro, não sou gordo, então vamos ver até onde vou. Espero que a gente consiga, não só eu, que eu ajude porque eu sozinho não faço nada, mas ajudo também, mesmo sendo treinador. Como todos que fazem o América vão ajudar, principalmente o torcedor. Agora, com os jogadores, na hora que entra em campo, são eles. Eles que têm de resolver porque eu não entro em campo. Eu fico ali de fora, falando, mas na ‘hora H’ são eles, então têm que entender.

Motivação será a base do trabalho?

Isso daí é algo que o ‘homem lá de cima’ me deu, desde que joguei. Na minha época como jogador, cheguei até 34 anos, não tinha ninguém que chegava nisso, parei com 34 anos. Acho que isso daí, eles também têm que buscar motivação, pessoalmente e no grupo, e esse é um momento que não dá para planejar muito. Porque eu cheguei hoje, vou ver um treino agora, quem jogou não treina, amanhã faço trabalho, vou ver o que faço… Porque, em seguida, tem viagem de tarde. É complicado e difícil, mas ninguém como treinador, a não ser em alguns momentos, que se pegue assim em um mês, dois meses para ter um ‘estilo de jogo’. Nesse momento temos que entender que… É a hora de dar uma sacudida, treinar não vai ter muitas condições, então vai ser na conversa mesmo, individual e em grupo principalmente, porque futebol é em grupo, e vamos ver o que acontece.

Por que retornou?

Na primeira vez que vim para o América, vim por um empresário, mas sabia o valor do América e deu certo. Nas outras também, claro, houve momentos ruins, que eu terminei saindo ou me mandaram embora, mas isso faz parte do futebol. No momento agora, sei da missão. O próprio Salum, além de ser um dirigente do América, é um amigo pessoal, amizade de 21 anos. Então, ele ligou para mim, eu estava em casa inclusive, sem clube, há três meses sem clube. Achei que podia vir, arriscar. tentar, lutar e trabalhar para sair dessa situação. Foi o motivo maior, além da amizade. E o motivo maior é o América, onde sempre me dei bem, tenho quatro títulos. Quem sabe acontece.

Adversários complicados?

Se fosse Paraná seria complicado, imagina se a gente olhasse essa parte. Salum ligou para mim, aí depois fui olhar os adversários e vi que era ‘pedreira’. Mas no futebol não se pode escolher adversário, se quer ser vencedor, e o América quer ser, vamos ser vencedores saindo da situação e não sermos rebaixados.

Sem tempo para trabalho, vai na motivação?

Trabalho vai ser esse, me parece que do último jogo não tem uma semana, aí depois tem um quinta-feira, no fim de semana seguido e o outro no meio de semana, para depois termos uma semana de descanso. Queria que fosse nesta semana, mas não é. Então, vamos trabalhar em cima do grupo, também conversando individualmente com cada um, e na hora da minha conversa com o grupo todo mostrar a eles que temos condição ainda e que pode sim acontecer.

Pensa em número de pontos para não ser rebaixado?

Não penso em números, eles existem, mas não penso nisso nesse momento. Penso no próximo jogo, na quinta-feira, e vamos ver o que acontece para pensar no outro. Não vamos atropelando. Vamos por etapa, jogo a jogo.

Trabalhar com ex-colegas ajuda?

Ajuda sim, porque eles me conhecem. Com certeza já passaram para os outros a minha maneira de trabalhar e, por conhecer, eles vão me ajudar mais, pelo tempo. Pois se tivesse uma semana, os outros iam me ajudar também, mas nesse momento esses daí vão me ajudar mais.

Recado ao torcedor americano

É difícil, porque não é trabalho do começo nem de meio, é de reta final. Mas se eu aceitei e estou aqui, é porque acredito, não viria aqui se não acreditasse. Eu diria ao Salum que não aceitaria. Mas como eu vim, estou aqui falando. Vou me apresentar aos jogadores, vim disposto a batalhar, lutar junto com eles e com quem faz o América, para sairmos dessa situação.

 

 

 

 

 

Fonte: SuperEsportes