Justiça acolhe denúncia contra árbitro alagoano acusado de corrupção na PB

Justiça acolhe denúncia contra ex-árbitro da Fifa acusado de corrupção na PB
Foto: G1/PB

 

O ex-árbitro da Fifa, o alagoano Francisco Carlos do Nascimento, conhecido como Chicão, virou réu nesta terça-feira em uma ação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) em que é acusado de participar de uma Organização Criminosa por ter supostamente aceitado uma vantagem indevida antes de apitar a partida de ida da final do Campeonato Paraibano deste ano, entre Campinense e Botafogo-PB. A juíza Andréa Galdino, da 4ª Vara Criminal de João Pessoa, acatou a denúncia do MPPB e o árbtiro agora precisa cumprir algumas medidas cautelares.

As medidas judiciais são consequências da Operação Cartola, deflagrada no dia 9 de abril, um dia depois da final do Campeonato Paraibano, que consagrou o Botafogo-PB como campeão estadual. O MPPB e a Polícia Civil comandaram as investigações e identificaram o que chamam de uma Organização Criminosa que se estruturou para manipular resultados no Campeonato Paraibano.

A denúncia que foi acatada pelo Poder Judiciário trata da partida de ida da decisão do estadual da Paraíba. De acordo com a Polícia Civil e o MPPB, o vice-presidente de Futebol afastado do Botafogo-PB, Breno Morais, e o presidente do Campinense, William Simões tentaram subornar Chicão antes do jogo, que foi realizado no dia 5 de abril deste ano. Segundo a juíza há fortes indícios de que Chicão e Simões negociaram uma vantagem indevida para que o árbitro ajudasse o Rubro-Negro na final do estadual.

Interceptação realizada pela Polícia Civil mostra que o dirigente falou com o árbitro no dia da partida de ida da final do Paraibano (Foto: Reprodução / GloboEsporte.com)

O assédio partiu dos dois lados, segundo a investigação. O vice de Futebol do Botafogo-PB, Breno Morais, teria buscado, por intermédio do empresário alagoano de jogadores, Alex Fabiano, chegar até o juiz da partida para propor alguma vantagem indevida, de acordo com os relatórios e interceptações telefônicas realizadas pela polícia. Essa também foi a conclusão da denúncia do MPPB, que foi acatada acatada nesta terça-feira.

Do outro lado, William Simões também tentou assediar o árbitro e chegou a falar por telefone com Chicão. Por intermédio do massagista Danilo Corisco, que prestou serviços à Federação Paraibana de Futebol, o mandatário do Campinense conseguiu falar diretamente com o juiz da partida no dia do jogo. Na ocasião, Simões fala com Chicão que havia transferido o “dinheiro do hotel”.

Chicão, Danilo Corisco e Alex Fabiano agora precisam cumprir algumas medidas cautelares. Eles terão que comparecer ao cartório judicial da vara uma vez por mês, não podem sair dos seus estados sem autorização judicial e têm a obrigação de ficarem recolhidos em suas residências todos os dias das 21h às 5h – salvo em casos de trabalharem comprovadamente neste período do dia. Eles também estão proibidos de ter acesso a entidades e eventos desportivos, de entrarem em contato com testemunhas e investigados nesse caso, além de terem que entregar à Justiça seus passaportes.

Fonte: G1/PB